terça-feira, 12 de maio de 2009

Fumando espero

Tem sido mais que interessantes as reflexões do ex-fumante Inácio Araújo a respeito do documentário anti-tabagista “Fumando Espero”. Quando o filme entrou em cartaz na semana passada ele escreveu uma crítica para a “Folha de S. Paulo”. Voltou à carga em seu blog, o “Cinema de Boca em Boca”.

Ele defende que o corte picotado do filme de Adriana Dutra é moldado pelos vídeos jornalísticos e pela publicidade. Ou seja, longe do cinema. Reitera que o documentário tem o efeito de provocar no espectador a vontade de fumar. E ainda relembra uma teoria do Carlão: você sabe se um filme é bom ou não pelo desejo de tragar. Se permanece na sala, é bom; se só pensa em acender um cigarro durante a projeção, é ruim.

Mas o filme também recebeu avaliações positivas. O “Cineweb” diz que ele “pode servir de apoio às pessoas que lutam para abandonar o cigarro”, mas ressalta que “é um filme bem intencionado, mas poderá ter dificuldades para atingir plateias mais amplas que não estejam envolvidas com o tema”. O “Cineclick” vai na mesma linha: “Cinematograficamente, trata-se de um documentário não muito inspirado. Seu conteúdo, porém, é de extrema importância e altamente indicado para exibição nos mais variados estabelecimentos de ensino”.

Atualizando: acabo de entrar no blog do Zanin. Ele acaba de postar um texto dele publicado no Estadão. "O filme poderia funcionar como um bom vídeo institucional da lei antitabagista há pouco aprovada em São Paulo."

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

A greve dos atores

Um misto de desinformação, jogo de interesses, disputa entre atores de alto escalão e um grupo menos popular, crise financeira, disputa sobre os pagamentos de conteúdo vendido online.

O Screen Actors Guild (SAG), sindicato dos atores mais forte dos EUA, está prestes a rachar. Há uma divisão em torno da decisão, ou não, de entrar em greve. Em ambos os lados, atores pesos pesados defendem a paralisação ou um mínimo acordo.

O The New York Times publicou nesta quarta-feira (17/12) um artigo razoável sobre o assunto que, de tantas idas e vindas, tende a criar uma neblina que impede uma visão panorâmica sobre o que de fato está acontecendo.

O texto, em inglês, está neste link.

Em tempo: um exemplo da divisão do SAG é a postura de Tom Hanks, considerado um “bom moço” nos bastidores, que se posicionou contra a greve.

Will Smith

Em 2008, Will Smith virou sinônimo de sucesso de bilheteria. Logo em janeiro, chegou por aqui com “Eu Sou a Lenda”, sexta maior bilheteria com R$ 18 milhões (2,2 milhões de espectadores). Em junho, com “Hancock”, que se tornou a quinta maior bilheteria com R$ 21 milhões (2,7 milhões de espectadores).

No feriado natalino, estréia mais um filme com o ator como protagonista. “Sete Vidas” é um dramalhão de um homem que carrega uma culpa do passado e procura expiá-la salvando vidas de desconhecidos.

É a segunda vez que Smith e o diretor italiano Gabriele Muccino trabalham juntos. Em “À Procura da Felicidade”, a mão do diretor foi muito pesada, levando a história da perseverança de um homem para a crença cega da América como a terra das oportunidades para todos.

Em “Sete Vidas” ele se recupera do escorregão. Ben Thomas, agente da Receita Federal interpretado por Smith, faz o bem não porque é um ser puro e tem essa qualidade inata, mas como maneira de trabalhar o próprio trauma de um passado dolorido.

A trama do filme se desenvolve em torno dele e dá ao ator carta branca para prender as emoções do espectador. E consegue transformar um filme regular em interessante.

Em tempo: veja o trailer do filme:

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

“Terra Vermelha” por Luiz Bolognesi

O blog Autores de Cinema, espaço dos roteiristas, publicou uma pequena entrevista com Luiz Bolognesi, roteirista do longa “Terra Vermelha”, que depois de passar por festivais em Veneza, Rio, São Paulo e Amazonas, estréia no circuito comercial.

O filme, dirigido por Marco Becchis, adota o ponto de vista dos índios kaiowá. “Estive em várias reservas kaiowá, convivi com os índios, entrevistei lideranças e pajés, li teses antropológicas e depois desse convívio visceral decidimos fazer um filme do ponto de vista kaiowá, em vez de tentar esquadrinhar a realidade com um painel sociológico”.

Bolognesi, que já tinha escrito “Chega de Saudade” e “Bicho de Sete Cabeças”, ambos dirigido pela esposa Laís Bodansky, ainda fala do processo de criação, da improvisação dos índios, o ponto de vista do narrador e a recepção no Festival de Veneza.

A entrevista completa está neste link.

A crítica do filme está neste link.

Em tempo: O trailer do filme está na janela abaixo.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Pasolini II

Depois de assistir a segunda parte de "Teorema" -- aquela em que toda a família realmente sai dos trilhos -- pergunto:

o sexo é o aspecto mais transgressor que um burguês pode alcançar?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Teorema, 40 anos

Em setembro, fez quarenta anos que “Teorema” foi lançado na Itália. Ontem à noite eu revi a primeira parte do filme, no qual o Visitante (Terence Stamp) transa com todos os integrantes de uma família burguesa e os deixa em frangalhos.

Cresci ouvindo meu pai, o senhor “Casablanca”, falar sobre esse filme. Vi quando era criança. Só havia entendido mesmo a mensagem mais direta do filme: o bonitão que leva uma família inteira pra cama – até o patriarca.

Ao rever, entre em contato direto com outra camada do filme, quiçá a mais relevante: a burguesia e o cristianismo. Pasolini faz um tratado irônico e crítico à burguesia, utilizando o sexo do Visitante para tal.

Em uma versão muitos mais elaborada, é o mesmo que o Cazuza (“sou burguês, mas eu sou artista”) ao berrar “a burguesia fede/a burguesia quer ficar rica”.

Vou continuar assistindo a segunda parte de “Teorema”. É muito interessante voltar a tomar contato com Pasolini, agora com olhos menos inocentes.

Em tempo: abaixo, a seqüência inicial do filme.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

"São Bernardo"

Muito interessante a edição 2008 do Festival de Brasília ser aberta por um filme de Leon Hirzmann, “São Bernardo”. A historiografia do cinema considera Hirszman como um dos “fundadores” do Cinema Novo.

Hirszman pesquisou linguagem. E a marca dos títulos selecionados para a mostra competitiva de longa-metragem em 35mm é justamente o pensamento da linguagem cinematográfica. Exemplo: Kiko Goifman, de “Handerson e as Horas”, é documentarista já habitué de Roterdã e com passagem por Berlim. Seu longa “FilmeFobia” é uma grande brincadeira com a imagem, a manipulação, a atuação tão ou mais eficiente do que o documento. Uma ficção que ironiza os limites do documentário.

Outro que transita na mesma fronteira é “Tudo Isto Me Parece um Sonho”, de Geraldo Sarno. Já “O Milagre de Santa Luzia”, de Sergio Roizenblit, amarra, por meio de diversos personagens, a história da sanfona. Sem contar o barroquismo de Rosemberg Cariry (“Siri-Ará”) e os bons temas de Evaldo Mocarzel (“À Margem do Lixo”) e André Luiz da Cunha (“Ñande Guarani”).

Uma coisa é certa: a edição deste ano certamente não terá os mesmos holofotes das edições anteriores. Afinal, o Festival de Paulínia entrou no pedaço no meio do ano, Gramado se recuperou do fiasco dos cinco anos anteriores e o Festival do Rio continua dividindo flashes/boa programação.

Porém, outro lado de Brasília se manterá vivo neste ano: a discussão. Conhecido por ser freqüentado por uma platéia que literalmente quebra o pau pelo cinema, os filmes darão boas discussões de linguagem.

Em tempo: puxando a sardinha pro lado da casa, o Cineclick vai estar lá, cobrindo o dia-a-dia do evento.